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Entretenimento

RPG de ação 'Crimson Desert' é tão grande que se perde

29/04/2026 18:30:00

“Crimson Desert” impressiona antes mesmo de qualquer explicação sobre do que se trata. É um RPG de ação em mundo aberto com uma escala descomunal, que mistura ideias de jogos como “The Witcher 3”, “The Legend of Zelda: Breath of the Wild” e até “Red Dead Redemption 2”, mas que, na tentativa de fazer tudo, acaba pecando em pontos importantes. A história acompanha Kliff, líder de um grupo dizimado por uma fação rival, que precisa reconstruir sua equipe enquanto desvenda uma ameaça ainda maior ligada a um misterioso plano chamado Abyss. Apesar da premissa interessante, o enredo não se sustenta no mesmo nível do resto do jogo. Kliff é pouco carismático, e os personagens raramente evoluem de forma marcante, o que torna a narrativa funcional, mas pouco memorável.

O gameplay é um mix de pontos fortes e fracos. No início, o seu sistema de combate pode parecer duro e até frustrante, com dificuldade elevada e mecânicas pouco explicadas. Com o tempo, porém, o jogo revela um sistema profundo e bastante flexível. É possível alternar entre ataques com espada, golpes corpo a corpo e habilidades especiais em sequência, criando combates caóticos, mas muito satisfatórios. Em confrontos maiores, o jogador pode chegar a enfrentar dezenas de inimigos ao mesmo tempo, com física dinâmica que permite derrubar estruturas ou arremessar adversários pelo cenário. Alguns chefes apresentam picos de dificuldade bruscos, e algumas habilidades são difíceis de entender e liberadas antes mesmo de poderem ser usadas corretamente pelo jogador.

Visualmente, o jogo é um espetáculo. A primeira impressão já chama atenção pela qualidade absurda da vegetação, com árvores reagindo ao vento e ambientes vivos em cada detalhe. A iluminação e os efeitos climáticos elevam ainda mais o impacto, com chuva realista e superfícies que refletem o mundo ao redor de forma convincente. O desempenho também surpreende, mantendo estabilidade mesmo com um mundo gigantesco e carregado de sistemas. Apesar disso, o excesso de estímulos pode cansar em sessões longas, com tanta informação visual competindo pela atenção do jogador.

O som acompanha o nível de qualidade do departamento visual. A trilha sonora de “Crimson Desert” é imersiva e marcante, ajudando a dar peso às explorações e batalhas, enquanto a dublagem em inglês entrega boas atuações. Comum em jogos de mundo aberto, a repetição em falas de NPCs pode quebrar a imersão com o tempo, mas no geral o áudio contribui positivamente para a experiência.

A rejogabilidade nesse game é enorme. A campanha principal pode ultrapassar facilmente 100 horas, mas dificilmente será seguida de forma direta. O mundo oferece uma quantidade quase absurda de atividades, desde caça e pesca até construção de base, comércio e minigames variados. Isso cria um ciclo constante de descoberta, mas também pode afastar quem prefere experiências mais objetivas. A falta de clareza em algumas mecânicas e a gestão ruim de inventário são pontos que atrapalham esse fluxo.

“Crimson Desert” é ambicioso ao extremo, com momentos de genialidade e outros de frustração. A vastidão e a liberdade impressionam, mesmo quando o design tropeça. É um jogo que exige paciência, mas recompensa quem se entrega à sua escala quase exagerada.

Davi Rocha é integrante do canal de Youtube Bacontástico

Autoria de KaiK.ai